A língua portuguesa como base para o progresso comum dos países através CPLP.

A trajetória do império colonial de Portugal, que teve início no século XV com a
conquista de Ceuta e estendeu-se até o século XX, é a responsável pela expansão da
língua portuguesa pelos continentes. Atualmente, mais de 220 milhões de pessoas falam
o português, que é a sétima língua materna mais falada no mundo e também o eixo
estruturante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização que
reúne os nove países que têm o português como língua oficial com foco no
fortalecimento dos laços culturais, econômicos e políticos.


Perante os contextos geopolíticos impostos pela globalização, esses esforços conjuntos
permitem aos países lusófonos a possibilidade de enfrentar melhor os desafios globais.
A ideia de formar essa comunidade surgiu como uma forma de fortalecer a cooperação
em diversas áreas, incluindo a educação, saúde, cultura, ciência e tecnologia, além de
promover a paz e a segurança internacional.
A CPLP foi constituída em 17 de julho de 1996, em Lisboa, por Angola, Brasil, Cabo
Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e
Guiné Equatorial. A importância da CPLP para os países aderentes é multifacetada.
Primeiramente, proporciona um espaço para a diplomacia multilateral, permitindo que
seus membros coordenem posições em organismos internacionais e defendam interesses
comuns. Essa unidade tem sido crucial em fóruns como as Nações Unidas, onde a voz
coletiva tem maior peso e influência.


Além disso, desempenha um papel vital na promoção do desenvolvimento econômico.
Através de iniciativas de cooperação econômica e técnica, os países membros têm a
oportunidade de compartilhar conhecimentos, tecnologias e boas práticas. Projetos
conjuntos em áreas como agricultura, energia, educação e saúde têm sido
particularmente importantes para este desenvolvimento. Por exemplo, programas de
capacitação e transferência de tecnologia têm ajudado a melhorar a produtividade
agrícola em países como Angola e Moçambique, contribuindo para a segurança
alimentar e o desenvolvimento rural.

Na esfera econômica, a CPLP tem potencial para fomentar o comércio e o investimento
entre os países membros. A criação de um mercado lusófono mais integrado pode
reduzir barreiras comerciais, facilitar a movimentação de bens e serviços e atrair
investimentos estrangeiros. Países como Portugal e Brasil, com economias mais
desenvolvidas, podem atuar como pontes para o investimento em nações africanas
lusófonas, promovendo um crescimento econômico mais equilibrado e inclusivo na
comunidade.


A organização também tem um papel significativo na promoção da educação e da
cultura. Iniciativas como a mobilidade acadêmica entre universidades dos países
membros e programas culturais conjuntos ajudam a reforçar os laços históricos e
culturais, além de promover o intercâmbio de conhecimentos.
Já no âmbito político e social, a CPLP atua na promoção da democracia, dos direitos
humanos e da boa governança. Programas de apoio a processos eleitorais, capacitação
de instituições públicas e promoção da transparência são exemplos de como a
organização contribui para a estabilidade política e o desenvolvimento sustentável.
A CPLP não se limita a ser um foro de discussão; é também um catalisador para a
implementação de políticas e programas que beneficiam diretamente os países
membros.

É importante destacar que a língua portuguesa, como elemento central da
identidade da CPLP, é continuamente fortalecida e promovida através dessas atividades,
assegurando sua vitalidade e expansão global. Essa troca de experiências inspiradas nas
melhores práticas internacionais são passos essenciais para a construção de sociedades
mais justas e equitativas.

Beatriz Sidrim, jurista e Ceo da Destinos Objetivos

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